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Evento sobre Gémeos Digitais para os Futuros Urbanos Realiza-se na NOVA IMS

Oct 16, 2025

16 de outubro de 2025 — A NOVA IMS acolheu o evento Digital Twins for Urban Futures: Insights and Applications, uma manhã dedicada à demonstração e discussão de como os gémeos digitais urbanos — representações virtuais, ricas em dados, de ambientes urbanos reais — estão a transformar a forma como compreendemos, gerimos e planeamos as cidades.

A sessão reuniu especialistas da NOVA IMS, KU Leuven, Universitat Jaume I (UJI), Esri Portugal e PGDL, proporcionando uma combinação de profundidade teórica, tecnologia aplicada e visões prospetivas para territórios inteligentes e sustentáveis.

Do Conceito à Aplicação: Avanços nos Gémeos Digitais

Na abertura do evento, André Barriguinha (NOVA IMS) apresentou o conceito em evolução dos gémeos digitais, enquadrando-os como sistemas vivos que refletem continuamente o mundo físico através da troca de dados. Com base em trabalhos académicos recentes, destacou que os gémeos digitais vão além de modelos estáticos:

“Ao tirar partido dos dados recolhidos nas cidades inteligentes e ao integrá-los automaticamente no modelo urbano, conseguimos manter uma réplica digital precisa, capaz de interagir de forma autónoma com a cidade.”

Esta abordagem foi demonstrada através de projetos já desenvolvidos pela NOVA Cidade, como o C-Tech e o Urban Co-Creation Data Lab, nos quais foram criadas ferramentas para simulação da mobilidade urbana, avaliação da caminhabilidade, modelação da poluição e otimização energética.

A apresentação culminou com a introdução do Projeto NexTCity, um projeto financiado pela União Europeia e desenvolvido pela NOVA IMS, UJI e KU Leuven. A sua missão é construir um gémeo digital da Zona de Emissões Zero (ZER) de Lisboa, integrando visualização 3D, modelação preditiva e dados orientados para a decisão, com vista à redução de emissões e à melhoria da qualidade de vida urbana.

Neste enquadramento, Nicolás Luna (UJI) apresentou um gémeo digital preliminar, em pequena escala, da Baixa Pombalina, que será posteriormente expandido e ligado a fluxos de dados em tempo real sobre ocupação, qualidade do ar, mobilidade e tráfego, estabelecendo as bases para um modelo urbano integrado de apoio à decisão.

Humanizar os Dados: As Dimensões Sociais dos Gémeos Digitais

Em representação da KU Leuven, Ate Poorthuis e Naomi Thiru exploraram o potencial dos gémeos digitais não apenas como infraestruturas técnicas, mas como sistemas sociotécnicos, capazes de ligar a governação orientada por dados à experiência humana. A apresentação, intitulada “Gémeos Digitais para a Tomada de Decisão”, partilhou aprendizagens do Projeto USAGE, que utiliza espaços de dados para apoiar políticas urbanas sustentáveis em cidades europeias como Leuven, Saragoça, Ferrara e Graz.

Poorthuis sublinhou a importância da transparência, interoperabilidade e inclusão, defendendo que os dados urbanos devem ser localizáveis, acessíveis e reutilizáveis. A equipa da KU Leuven refletiu também sobre a dimensão humana dos gémeos digitais, colocando a questão:

“Onde estão as pessoas nos gémeos digitais?”

Como Thiru ilustrou através da colaboração com o Housing Development Board de Singapura, a integração de medidas subjetivas — como felicidade, perceção e desigualdade — com indicadores tradicionais pode transformar a forma como entendemos o bem-estar urbano.

Esta ideia voltou a emergir no debate final, quando um estudante questionou se os cientistas de dados deveriam confiar mais na perceção humana subjetiva, como respostas a inquéritos, ou em dados objetivos provenientes de sensores, câmaras e outros dispositivos. André Barriguinha explicou que ambas as fontes são essenciais e devem ser analisadas em conjunto para produzir conhecimento relevante para os decisores.

Tecnologia na Prática: Dos Aeroportos à Gestão de Cheias

Aproximando a discussão da implementação prática, Nuno Leite (Esri Portugal) demonstrou como a tecnologia ArcGIS sustenta o desenvolvimento de gémeos digitais dinâmicos em várias partes do mundo. Foram apresentados dois casos de estudo:

  • O Gémeo Digital de Zurique, como exemplo de integração geoespacial avançada ao serviço do planeamento climático e de infraestruturas;

  • O Gémeo Dinâmico do Aeroporto Internacional de São Francisco, um modelo operacional em tempo real que combina dados GIS e IoT para melhorar a monitorização, otimizar fluxos de mobilidade e reforçar a coordenação da manutenção.

Estes exemplos evidenciaram como os gémeos digitais conseguem integrar múltiplas camadas de dados — desde infraestruturas subterrâneas até redes de sensores em tempo real — em sistemas coerentes que apoiam a gestão urbana e a sustentabilidade.

De seguida, Tiago Gomes, do PGDL (Plano Geral de Drenagem de Lisboa), apresentou o plano da cidade para a gestão do risco de cheias. Recordando os problemas recorrentes de inundações desde a década de 1980, explicou como dois grandes túneis de drenagem — Monsanto–Santa Apolónia (5 km) e Chelas–Beato (1 km) — estão a ser modelados com recurso a BIM e a ferramentas de gémeos digitais, de forma a otimizar o seu desenho e operação. Uma vez concluídas, estas infraestruturas deverão reduzir as cheias em até 80%, representando um avanço significativo na resiliência e segurança pública de Lisboa.

Olhar para o Futuro: Gémeos Digitais para Territórios Mais Inteligentes e Centrados nas Pessoas

Nas palavras de encerramento, o Professor Miguel de Castro Neto, Diretor da NOVA IMS e da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, relacionou os temas debatidos com a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes (ENTI). Destacou o papel central dos gémeos digitais na visão da ENTI, enquanto instrumentos orientados por dados que reforçam a gestão pública, a transparência e o bem-estar dos cidadãos.

Um Diálogo entre Dados e Pessoas

Apesar do seu caráter técnico, o evento Digital Twins for Urban Futures recordou aos participantes que os dados, modelos e algoritmos existem para servir as pessoas. Seja através da visualização de emissões, da previsão de cheias ou do mapeamento do bem-estar, ficou clara uma mensagem comum: o futuro dos gémeos digitais depende da integração da perspetiva humana na narrativa dos dados.

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