
Projeto Smart Healthy Region Arranca no Oeste
12 de novembro de 2025 — O projeto Smart Healthy Region teve início oficial na manhã de ontem com uma dinâmica sessão de arranque, realizada na CIM Oeste, em Caldas da Rainha. A iniciativa, liderada pelo NOVA Cidade, reúne a CIM Oeste, a ULS Oeste, a SPMS e a NOVA Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA) com o objetivo de conceber um modelo orientado por dados para territórios mais saudáveis, equitativos e sustentáveis.
Construir Regiões Mais Saudáveis e Inteligentes
O crescimento urbano está a acelerar. Até 2050, 70% da população mundial viverá em cidades, intensificando as pressões sobre a saúde pública e a qualidade de vida. Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde recorda que as “cidades saudáveis” devem colocar a saúde, a equidade, o bem-estar e a sustentabilidade no centro das políticas urbanas.
O projeto Smart Healthy Region responde a este desafio através do desenvolvimento de uma Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial. Esta plataforma irá disponibilizar análises descritivas, preditivas e prescritivas para apoiar a tomada de decisão baseada em evidência na área da saúde. O projeto inclui ainda o lançamento de um programa de intervenção comunitária, com o objetivo de promover políticas públicas orientadas por dados e reforçar a prevenção e o bem-estar, através de sistemas de informação integrados e serviços inteligentes.
Alinhado com a Estratégia Nacional para os Territórios Inteligentes (ENTI), o projeto tira partido da infraestrutura de inteligência da Smart Region da CIM Oeste para articular as dimensões da saúde, social, ambiental e espacial, colocando as pessoas e as comunidades no centro da ação.
Da Visão à Colaboração
A sessão iniciou-se com as intervenções de boas-vindas do Miguel de Castro Neto, Diretor da NOVA IMS e Coordenador da NOVA Cidade, e do Dr. Paulo Jorge Lopes Simões, Secretário Executivo da CIM Oeste. Ambos sublinharam a importância estratégica do projeto na transformação da forma como os territórios abordam a saúde e o bem-estar, através dos dados, da tecnologia e das parcerias locais.
Seguiu-se a apresentação de André Barriguinha, que fez um enquadramento da Oeste Smart Region, enquanto iniciativa agregadora que articula seis dimensões-chave: economia, governação, ambiente, mobilidade, sociedade e qualidade de vida.
A seguir, o Dr. Rui Santana, Subdiretor da ENSP-NOVA, apresentou o tema “Desafios Intersectoriais da Saúde no Oeste”, recordando aos participantes que “o código postal é um melhor preditor da saúde do que o código genético”, citando a investigadora Melody Goodman, da Washington University em St. Louis. A apresentação reforçou como as condições locais — desde a habitação e os transportes até à educação e ao ambiente — influenciam os resultados em saúde das populações tanto quanto os fatores clínicos.
Cocriação de Soluções para o Oeste
A segunda parte da manhã foi dedicada a uma sessão de cocriação, facilitado por Inês Areosa, investigadora da NOVA Cidade. Os participantes identificaram colaborativamente desafios intersectoriais da saúde e traduziram-nos em necessidades de dados, recorrendo a metodologias participativas como mapeamento colaborativo, discussões em grupo e agrupamento temático.
Do trabalho desenvolvido emergiram quatro grandes desafios: Acessibilidade, Doenças Crónicas e Sazonalidade, Migração e Sazonalidade, e Literacia e Educação. Na sessão final de votação, cada tema foi avaliado de acordo com três dimensões: relevância para o território, potencial de impacto e viabilidade.
Os resultados evidenciaram a Acessibilidade e as Doenças Crónicas e Sazonalidade como prioridades para a fase inicial de investigação e intervenção do projeto Smart Healthy Region.
Próximos Passos
O projeto entra agora na sua primeira fase operacional, que terá início com três atividades-chave: o Diagnóstico da Operação, a Definição da Infraestrutura Tecnológica e a Definição do Software de Suporte. Lideradas pela NOVA IMS, estas tarefas iniciais irão estabelecer as bases da plataforma analítica do Smart Healthy Region e assegurar a interoperabilidade tecnológica com a Oeste Smart Region.